quinta-feira, 2 de junho de 2011

sobre fé

Ontem a noite aqui em casa, tivemos um desses raros momentos em que todo mundo senta na sala e conversa de forma espontânea. Falamos muito sobre espiritualidade de uma forma geral, o que me fez tirar duas conclusões: (1) não só a minha família, mas acho que a maioria das pessoas, está focada demais no que quer, e por isso mesmo, se esquece de ponderar o que realmente precisa, e (2) quando você se baseia no conhecimento e sermões proferidos por outros e não usa seu poder de observação pura e simplesmente, você tem uma séria tendência de ficar estagnado. Não estou querendo impor uma verdade absoluta sobre quem está certo ou não, mas apenas expor minhas opiniões.

Minha mãe é separada do meu pai, que tem uma outra família, isso já tem uns 12 anos, mas só há dois anos que eles oficializaram o divórcio. Ela é freqüentadora dessas igrejas evangélicas, e em resumo, ela acredita firmemente que Deus vai faze-los pagar pelo sofrimento dela. Daí eu expus a ela uma outra teoria: a de que eles talvez já tenham pagado, e que na verdade, ela é que teria que ter aprendido algo com isso. Que se Deus tivesse atendido as preces dela e trazido meu pai de volta, ela ia ficar com os conceitos dela estagnados, e não se ia se livrar dos que precisam ser deixados para trás. Acredito firmemente que tudo o que você passa, independente dos resultados que trazem para você, servem pra te ensinar sobre algo, e que se você sofre, é porque você ainda não captou a mensagem.

Eu não tenho uma religião definida, mas eu sempre digo que se fosse optar por uma, seria espírita. Bom, ontem divulguei alguns dos conceitos que eu conheço da doutrina pro pessoal daqui de casa (inclusive, o que citei acima é um deles). Falei sobre empatia e observação do meio externo e sobre minha concepção de Deus. Em resumo, não acredito em um Deus arquétipo, mas num Deus subjetivo, que se manifesta quando manifestamos nosso melhor, quando temos aquele insight genial pra resolver um determinado problema, quando chegamos exaustos e felizes do trabalho simplesmente por nos darmos conta que demos o melhor de nós e que o nosso trabalho surtiu resultados positivos, ou até quando a gente come nosso prato preferido. Falei um pouco sobre o conceito de médium, como simplesmente uma pessoa com mais empatia e sensibilidade com relação aos sentimentos do próximo e do meio, de uma forma geral, e comentei que já fui abordada uma vez e me disseram que eu era uma.Como resultado, minha mãe atirou uma água gelada - acho que era água benta - nas minhas costas quando eu estava tomando banho. Não fiquei brava com isso não, entendi que na cabeça dela, ela estava querendo me proteger, porque, pelo espiritismo, quando você tem um certo grau de mediunidade, o meio externo te afeta um pouco mais do que os outros, e ela entendeu que isso me deixava "vulnerável", por isso tacou a água em mim. Enfim, mães são todas apavoradas.

Bom se eu escolhesse duas pessoas pra contar esse relato, um ateu e um católico fervorosos, acredito que os dois teriam a mesma reação: combater a idéia que eu expus até o último momento, sem considerar a hipótese do "e se". Acho que ambos não estão tão distantes assim um do outro em termos "ideológicos". A estagnação está no ignorar pontos de vista diversos pra sobrepujá-los, seja por vaidade, por orgulho, ou até medo. Acredito que quanto mais você percebe que você não sabe de nada e que você precisa ouvir mais, mais perto do caminho você está.

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